a leitura nos reserva surpresas. a gente nunca sabe exatamente o que vai encontrar em um livro. Com "Em busca da sabedoria" (Wisdom Chaser, título original em inglês) foi assim. Ninguém me indicou. Comprei porque estava com preço promocional e gostei do resumo: as caminhadas nas montanhas do Colorado de Nathan Foster com seu pai Richard J. Foster, autor do clássico cristão "Celebrando a disciplina", aproximam filho e pai e transformam suas vidas.
fiquei encantado com este livro. simples e profundo, autêntico, verdadeiro, honesto, próximo ao coração.
Reproduzo abaixo trechos selecionados, mesmo que fora de contexto:
Encontre
seu ritmo.
Vá
devagar.Não pare. (p32)
Relaxe.
Diminua a
velocidade.Viva cada momento. (p34)
Assim como qualquer outro vício, estar ocupado funciona muito bem. Dá-nos um ponto de vantagem para evitar o vazio, a solidão, as memórias desagradáveis, o sofrimento, a intimidade – e, consequentemente, a clareza que o silêncio e uma vida sem pressa pode trazer. (p40)
Eu não precisava ser obcecado por conquistas. (p52)
As conquistas não importam.
Eu poderia simplesmente ser eu.
Eu era um nada.
Um nada muito amado.
Isso era libertador. (p59)
Anos atrás, quando as pessoas elogiavam o meu pai, ele olhava para baixo e murmurava algo sobre quanto não era digno de louvores. Um bom amigo que ele tem em Dallas chamava isso de “sussurro da humildade”. Papai parou de fazer isso. Se você o elogiar hoje, ele responderá com uma frase padrão. Olhando-o nos olhos, com calma confiança, ele dirá: “Fico feliz porque minha pequena contribuição foi útil para você” (p72)
- Ok, já que Jesus dedicou tanta atenção aos pobres e desvalidos, por que a igreja não é o epicentro mundial da justiça econômica, social e racial? Já encontrei mais graça e amor em pessoas acabadas no bar do que naqueles que ocupam os bancos das igrejas. E então baseamos o sucesso institucional, declarando, assim, a bênção de Deus, pelo número de novos convertidos e pela frequência nos domingos de manhã. É como se fôssemos uma espécie de conquistadores baratos, que não valorizam as pessoas e fazem contas ao pé da cama. O discipulado é um segundo plano que ninguém está preparado para encarar. O exemplo de Cristo, de investir tempo em poucas pessoas por alguns anos, não tem espaço na mescla de projetos para construir novos prédios, atrair novos membros e equilibrar o orçamento. E, em vez de permitir que os nossos pastores sejam seres humanos reais, com problemas reais, preferimos forjar celebridades religiosas atoladas de trabalho. (p80)
- As pessoas hoje precisam desesperadamente de espaço, tranquilidade e atenção. E a maioria das igrejas é especialista em ocupação, pressa e barulho. Mantemos as pessoas distraídas o tempo inteiro. Pessoas sinceras que buscam uma vida íntima e profunda com Deus acabarão sendo deixadas em algum cargo da igreja! Se, em vez disso, ensinássemos as pessoas como criar espaço na vida e como ouvir com atenção, inclinaríamos o coração delas a Deus. Da forma que as coisas estão, fazemos toda e qualquer coisa, menos isso. (p81)
- A pessoa disciplinada faz o que precisa ser feito na hora em que precisa ser feito. (p85)
Nós nos tornamos aquilo que os outros esperam de nós. O meu pai esperava que eu melhorasse e até presumia que eu tinha algo útil a dizer. É incrível como caímos e levantamos segundo as pressuposições dos outros. (p118)
A trilha da Divisa Continental abrange o cume das montanhas Rochosas desde o Canadá até o México. O plano de papai, durante seu período sabático, era mochilar pelos 1.250 quilômetros da trilha que corta o Colorado. (p119)
Terminei aquela semana com a profunda sensação de que Deus não me chama para uma vida de pressa. Sou eu quem a escolhe. (p134)
“Construir e cultivar relacionamentos é a coisa mais importante que você pode fazer na terra”. Gostaria de conseguir lembrar onde ouvi essa frase pela primeira vez. Ela habita a minha mente há anos. (p138)
Há pouco tempo, deparei com uma fotografia tirada por Kevin Carter. É a assustadora imagem de uma criança pequena e faminta engatinhando no deserto do Sudão. À distância, uma ave de rapina espera pacientemente a menina morrer. Pouco depois de ganhar o Prêmio Pulitzer pela fotografia, Kevin se matou. A pobreza extrema resume um terço da história do nosso mundo. (p143)
Papai se interessava por minha vida e, por mais que eu receasse admitir, sua preocupação significava muito. Eu começava a perceber de que formas sua presença havia ajudado a moldar a pessoa que me tornara. Durante dez anos, ele me encorajou. Ouviu e tentou envolver-se. Raramente dava conselhos, mas sempre abria um sorriso. Senti-me aceito e livre para ser quem eu era, sem sofrer julgamentos. Papai me ofereceu aquilo que Henri Nouwen chamou de “hospitalidade”, e percebi que esse é o maior presente que um pai pode dar ao filho. (p160)
No fim das contas, o meu pai não é aquilo que ele escreve, nem sua presença carismática, mas sua capacidade de amar os outros. (p161)
Um dia, quando papai já houver partido, gostaria de escalar no Colorado com os meus filhos e netos. Carregando seu bastão pesado, contarei histórias exageradas de subir aquelas montanhas com um homem velho e lento chamado Caçador da Sabedoria. Com muita ternura, falarei de quanto meu pai amava aquelas montanhas. Direi quanto rimos e conversamos, e quanto ele me amava. (p161)
Ao final do livro, um belo, humilde e sábio posfácio do pai, Richard J. Foster:
Aprendi
quanto sei pouco sobre os mistérios da equação humana. E como é difícil
desvendá-los. Lutando juntos para subir encostas, atravessando um rio bravo
amarrados um ao outro, passando a noite em sacos de dormir no silêncio perfeito
sob as estrelas – para nós, essas experiências proporcionaram a chave que
vagarosamente começou a destrancar as câmaras ocultas do meu coração.
Aprendi
que relacionamentos humanos são delicados e necessitam de cuidados constantes.
Aprendi que ouvir com o coração é um dom da graça, algo para ser preservado
como um tesouro. Aprendi que os elos da amizade têm mais valor do que quase
tudo em que consigo pensar.
Mesmo
assim, não é possível responder por completo às perguntas sobre o que aprendi
ou senti. Algo fica preso na garganta toda vez que tento articular uma
resposta. Creio que algumas realidades são mais profundas do que as palavras.
(p163 – Richard Foster)

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